CRISE DO VAREJO, OU GERAL ?
- msolimeo5
- 21 de ago.
- 2 min de leitura
“A história do comércio varejista em São Paulo e no Brasil está repleta de exemplos e nomes de empreendedores e empresas que contribuíram para o seu desenvolvimento, mas que..... Infelizmente muitos desses empreendedores e grande dessas empresas, desapareceram. Os motivos foram variados, mas, algumas características comuns podem ser vistas nos casos de fracasso, falência ou desaparecimento. Geralmente as crises ocorrem em momentos de volatilidade do mercado, endividamento elevado em períodos de juros altos e grande inadimplência. Quando a isso soma-se uma redução ou aperto do crédito, muitas empresas não resistem.
Citei de memória um grande número de empresas que os mais antigos deverão se lembrar pela importância que tinham naquela época: Mappin, Mesbla, Sears, Casa Pirani (meu primeiro emprego), Arapuã, Casa Fretin, Ducal (a que vendia terno com duas calças), Casas Centro, Isnard, Eletroradiobraz, Casas Buri, Lojas Brasileiras, G Aronson, Lojas Peter, Tapeçaria Chic, La Pisanini, R Monteiro, Ao Barulho da Lapa, Supermercado Peg- Pag...Dessas empresas, nem todas faliram ou tiveram dificuldades financeiras. Muitas simplesmente foram perdendo a importância, encolhendo ou simplesmente fechando.
(Depoimento no livro “O Legado silenciosos de Marcel Solimeo, escrito por James Mohr-Bell) “
Conheci a maioria dos grandes empreendedores do varejo nas décadas 80 e 90, cujas empresas desapareceram ao longo das crises da economia brasileira.
Conheci também, na mesma época, Samuel Klein, fundador das Casas Bahia, que sobreviveu às tempestades daqueles períodos e que, agora, ganha as manchetes dos jornais pelo seu pedido de ”recuperação judicial” de 17,3 bilhões de Reais, destacando-se entre um grande grupo de varejistas que não estão suportando as dificuldades do momento. A relação dessas empresas é grande, mas nenhuma chega perto dos valores apresentados pelas Casas Bahia.
É evidente que cada uma delas, inclusive a Bahia, apresenta razões distintas para seu insucesso, dentre as quais se destacam, mudanças de hábitos dos consumidores, falta de atualização tecnológica, dificuldades sucessórias, desentendimentos familiares, má gestão, entre outras. Contudo, não há dúvidas, de que o cenário atual de juros altos, tributação elevada, burocracia excessiva e insegurança jurídica e econômica tiveram grande parte da responsabilidade pelas dificuldades. Também a alta inadimplência do consumidor, contribuiu para agravar o quadro negativo enfrentado pelas varejistas.
O número de demissões no varejo, só da Casas Bahia, 3.000 funcionários, embora temporariamente suspenso pela Justiça, é bastante elevado.
Acresce que, além das grandes empresas conhecidas que frequentam as manchetes dos jornais, cerca de mais de nove milhões de empreendimentos menores acham-se inadimplentes, o que deve acrescentar um número muito grande de demissões, afetando fortemente o emprego e a renda disponível para consumo.
Como outros setores da economia também enfrentam as mesmas dificuldades pode-se concluir que não se trata de uma crise do varejo, embora esse setor seja o mais visível por sua posição no mercado, mas de uma situação de dificuldades de toda a economia.




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