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ENTRE A DÍVIDA E A DÚVIDA (O DEVER ACIMA DE TUDO)

  • msolimeo5
  • 8 de jul.
  • 2 min de leitura

O BRASIL convive com um período muito longo de endividamento geral e de juros extremamente elevados, que causam uma série de distorções na economia, afetam a capacidade de crescimento e agravam os problemas econômicos e sociais. A origem dessa situação está, sem dúvida, na política fiscal, que vem sendo expansionista desde o início do atual governo, mas que, a partir de 2015, se agravou. A perspectiva de uma disputa eleitoral apertada levou à adoção de bondades sucessivas, que parecem ainda não ter se esgotado, embora não se imagine o que mais poderá ser feito.

Traduzindo em números o quadro atual da inadimplência no Brasil, podemos começar pelo próprio governo, que tem uma dívida equivalente a 80% do PIB — ou seja, 10 trilhões de Reais, ou 2,5 trilhões de dólares. Esse percentual, nas comparações internacionais, não parece preocupante, pois são muitos os países com dívida pública superior. O Japão, por exemplo, tem dívida superior ao PIB, mas as taxas de juros são negativas e, por isso, não constituem problema. Outros países, igualmente, rolam suas dívidas com taxas de juros baixas, pois seus governos têm credibilidade e uma política fiscal definida. No caso brasileiro, a rolagem da dívida se torna cada vez mais difícil e exige taxas de juros cada vez mais altas e prazos mais curtos.

O reflexo dessa política é que o número de empresas endividadas passou de 5,95 milhões em 2022 para 8,88 milhões em 2025, um aumento de 3 milhões em 4 anos. O número de pessoas físicas endividadas é de 8,5 milhões e cresce aceleradamente, o que levou o governo a adotar o Desenrola para facilitar negociações. Contudo, com os altos níveis das taxas de juros, as dívidas só crescem.

Todos os indicadores mostram que 2027 será um ano muito difícil para o Tesouro e exigirá um ajuste fiscal profundo, com reforma administrativa e corte de despesas. E aqui é que entram as dúvidas. O cenário eleitoral se acha indefinido, mas a maior dúvida é saber se o atual presidente, caso reeleito, adotará os ajustes ou continuará a política de que "gasto é vida" e de que o ajuste fiscal tem que vir do crescimento da economia e do aumento da arrecadação. Também em caso de vitória de outro candidato, existe a dúvida se começará o ano com o ajuste ou procurará ganhar força política antes, adotando uma política de crescimento.

Assim, mesmo que o cenário eleitoral clareie um pouco mais, ainda não se terá uma definição suficiente para o planejamento da atividade empresarial. Como o empresário não pode deixar de tomar decisões a todo momento, só lhe resta trabalhar com cautela, sempre pronto a fazer ajustes no seu planejamento à medida que o cenário for mudando. Como diria Gramsci, "deve-se ser pessimista na análise e otimista na ação".u planejamento à medida que o cenário for mudando. Como diria Gramsci, "deve-se ser pessimista na análise e otimista na ação".

 

 

 
 
 

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